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sábado, 14 de maio de 2011

Dia da Mulher


O Pai e a Mãe estavam assistindo televisão, quando a mãe disse "estou cansada e já é tarde, vou me deitar".
Foi a cozinha fazer uns sanduiches para o lanche do dia seguinte na escola, passou uma água nas taças das pipocas, tirou carne do freezer para o jantar do dia seguinte, confirmou se as caixas dos cereais não estavam vazias, encheu o açucareiro, pôs tigelas e talheres na mesa e preparou a cafeteira para estar pronta para ligar no dia seguinte. Pôs ainda umas roupas na maquina de lavar, passou uma camisa a ferro e pregou um botão que estava caindo. Guardou umas peças do jogo que ficaram em cima da mesa, e pôes a agenda do telefone no lugar.
Regou as plantas, despejou o lixo e pendurou uma toalha para secar.
Bocejou, espreguiçou-se, e foi para o quarto. Parou ainda no escritorio e escreveu uma nota para o professor do filho, pôs num envelope junto com o dinheiro para pagamento de uma visita de estudo, e apanhou um caderno que estava caído debaixo da cadeira. Assinou um cartão de aniversario para a amiga, selou o envelope, e fez uma pequena lista para o supermercado. Colocou ambos perto da carteira.
Nessa altura o pai disse lá da sala:
- "pensei que você tinha ido se deitar!"
- "estou a caminho" respondeu ela.
Pôs água na tigela do cão e chamou o gato para dentro de casa.
Certificou-se de que as portas estavam fechadas. Espreitou-se para o quarto de cada um dos filhos, apagou a luz do corredor, pendurou uma camisa, atirou umas meias para o cesto de roupa suja, e conversou um bocadinho com o mais velho que ainda estava estudando. Já no quarto, acertou o despertador, preparou a roupa para o dia seguinte e arrumou os sapatos. Depois lavou o rosto, passou creme, escovou os dentes e acertou uma unha quebrada. A essa altura, o pai desligou a televisão e disse:
- "vou me deitar". E foi... sem mais nada.
Notaram aqui alguma coisa de extraordinário?
Ainda perguntam por quê é que as mulheres vivem mais... e são tão MARAVILHOSAS?
Porque são muito mais fortes e feitas para resistir."
(Carlos Drummond de Andrade)