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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A Seta e o Alvo



Eu falo de amor à vida, você de medo da morte. Eu falo da força do acaso e você, de azar ou sorte. Eu ando num labirinto e você, numa estrada em linha reta. Te chamo pra festa mas você só quer atingir sua meta. Sua meta é a seta no alvo, mas o alvo, na certa não te espera. Eu olho pro infinito e você, de óculos escuros. Eu digo: "Te amo" e você só acredita quando eu juro. Eu lanço minha alma no espaço, você pisa os pés na terra. Eu experimento o futuro e você só lamenta não ser o que era. E o que era? Era a seta no alvo,  mas o alvo, na certa não te espera. Eu grito por liberdade, você deixa a porta se fechar. Eu quero saber a verdade, e você se preocupa em não se machucar. Eu corro todos os riscos, você diz que não tem mais vontade. Eu me ofereço inteiro, e você se satisfaz com metade. É a meta de uma seta no alvo, mas o alvo, na certa não te espera. Então me diz, qual é a graça de já saber o fim da estrada? Quando se parte rumo ao nada? Sempre a meta de uma seta no alvo, mas o alvo, na certa não te espera. Então me diz, qual é a graça de já saber o fim da estrada? Quando se parte rumo ao nada. Obs: Será que não te espera?!


(Paulinho Moska - A seta e o alvo)

 

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