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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Manifesto



"A gente acorda pra vida e não quer sair da cama, a gente abre a ferida na pele de quem nos ama, a gente vive na guerra, a gente luta por paz, a gente pensa que sabe, mas nunca sabe o que faz. A gente nega o que nunca teve forças pra dizer, a gente mostra pro mundo o que se quer esconder, a gente finge que vive até o dia de morrer e espera a hora da morte pra se arrepender de tudo. E todas essas pessoas que passaram por mim, alguns querendo dinheiro, outros querendo o meu fim, e os meus amores de infância e os inimigos mortais, todas as micaretas, todos os funerais. Todos os ditadores e sub-celebridades, farsantes reais encobertando verdades, pra proteger um vazio, um castelo de papel, sempre esquecendo que o mundo é só um ponto azul no céu. Quem é que vai ouvir a minha oração? E quantos vão morrer até o final dessa canção? E quem vai prosseguir com a minha procissão, sem nunca desistir, nem sucumbir a toda essa pressão? No escuro, a sós com a minha voz. Por nós, quem? Quem? Quem? Antes, durante e após desatando os nós, hein? Hein? Hein? Sente no corpo uma prisão, correntes, vendas na visão os caras não avisam, balas não alisam, minas e manos brisam e precisam de mais, mais visão, ter paz, paz. Note que o holofote e o vício nele em si te desfaz, faz menos é mais, e o que segue é a lombra, onde se vacilar os verme leva até sua sombra, cada qual com seu caos, o inferno particular. Tempo, individual e o amor, impopular. Só existe uma maneira de se viver pra sempre, irmão, que é compartilhando a sabedoria adquirida, e exercitando a gratidão, sempre, é o homem entender que ele é parte do todo, é sobre isso que o manifesto fala, nem ser menos e nem ser mais, ser parte da natureza, certo? Ao caminhar na contramão disso, a gente caminha pra nossa própria destruição."


(Manifesto - Fresno)

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